sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Vozes

Escuto vozes. Vozes que me dizem o que devo fazer. Me atormentam.

Vozes sem emissor, sem dono. Me perseguem, mas nunca estão as minhas costas quando as procuro. Talvez apenas eu as ouça. Talvez seja paranoia minha. Todos parecem viver tranquilos, sem vozes. Ninguém nunca comentou ouvi-las. Se há alguém que um dia comentou, certamente desapareceu.

Vozes que me mandam estudar. Me mandam trabalhar. Me mandam crescer. Me mandam ser o que não sou. O que não quero ser. Querem que eu as escute, mas não querem me escutar. Não querem me responder. Por que devo ouvi-las?

Me dizem o que devo falar, mas não me dão palavras. Dizem o que devo sentir, mas não me dão sentimentos. Dizem que estou errado, mas não me corrigem. Dizem que estou no caminho errado, mas não me dão direção. Dizem tudo, mas não explicam nada. Apenas dizem.

Vozes que me mandam viver, que mandam me matar, me mandam morrer. Vozes que me prendem. Vozes que deveriam se calar, deveriam se ouvir. Me digam: Pra que isso? Por que precisa ser assim?

São muitas imposições, muitas obrigações, muitas ordens. Não quero obedecer. Quero ser quem sou, fazer o que quero fazer. Quero estar alheio. Fora do Sistema. Fora da Lei. Fora de alcance. Carta fora do baralho. 

Não quero fazer nada. Não quero ser nada. Não quero ouvir nada. Quero ser livre. Calem-se!