segunda-feira, 18 de junho de 2012

Aprendendo a Viver


Quando somos crianças, nos ensinam a viver de forma errada. Nos fazem acreditar que Papai Noel e Coelho da Páscoa existem. Que você vai ser o que você quiser quando crescer. Vai ter controle de tudo. Tudo sairá como planejado. Será dono de seu próprio destino. Tudo vai dar certo. Você vai ser feliz pra sempre.

E você cresce, com toda a expectativa do futuro perfeito. De que quando você crescer, você será o máximo. O melhor. Terá sucesso e todos lhe amarão. E por isso você se esforça pra fazer isso acontecer. E então criam expectativas em suas expetativas. Você passa a carregar o seu sonho e o de outras pessoas, que acreditam em você.

De repente, quando algo dá errado, é que você percebe: Assim como o Papai Noel e o Coelho da Páscoa, o plano perfeito é apenas fantasia. Você não é especial e incrível. Logo você enxerga que viveu num mundo de sonhos, não estava vivendo no mundo real. Era apenas fantasia. Você cresceu.

Crescer não é tão incrível quanto quando você é pequeno e pensa que só fará o que quiser quando crescer: “Mamãe não me deixou brincar? Quando eu crescer ela não vai me impedir.” – Você cresce e percebe que não pode brincar, mesmo que queira. Tem algo “mais importante” a fazer. Toda expectativa que criaram sobre você, agora, é apenas mais pressão.

Torna-se refém de responsabilidades. Ainda não consegue engolir o fato de que as coisas não são como você planejou. Aprende a sobreviver da forma que consegue, com a esperança de estar fazendo algo certo. Esperando que em algum momento, o futuro se torne perfeito. Esperando o feliz para sempre.

Os anos passam, e por mais que você planeje e visualize tudo da forma que deveria ser, nunca é o que você esperava, afinal de contas. É isso que deveriam nos ensinar desde cedo. Nos protegem tanto porque somos pequenos, que quando crescemos, nos machucamos como se ainda fossemos crianças.

Você acredita no que te disseram a vida toda e se machuca. Mas é muito fácil culpar sua criação, não é? É apenas uma criança mimada que sempre ouviu e teve o que quis. Agora que a vida não lhe dá mais o que quer, fica emburrada e não quer mais brincar.

A verdade é que você ainda não cresceu. Por que mesmo que tudo esteja ruim e por mais que você reclame, continuam lhe dizendo que tudo dará certo. Mas é difícil ter paciência e esperar algo bom quando toda sua vida diz o contrário.

Você dorme, acorda e tudo continua igual. Cada dia de espera é uma eternidade. Dói. Você se esforça pra ser o melhor que pode ser, e tudo que recebe de volta são pedradas. É injusto. E todo dia você se fecha mais, como uma criança traumatizada que não quer passar por tudo de novo.

sábado, 16 de junho de 2012

Perdido no Tempo


Não sei ao certo quando me tornei quem sou. Com a mente paranoica e pessimista. Não me lembro de quando estive feliz. Não me recordo quando tudo fez sentido. Também não sei quando me sentirei feliz e quando tudo fará sentido. Quando estarei satisfeito.

O passado sempre nos parece bom. É quando tudo aconteceu. Foi lá que acertamos. Erramos. Não deveríamos nos culpar pelas decisões ruins que tomamos. Todos vivem dando o melhor de si e tomando as decisões que julgam como as melhores. Mas nem tudo dá certo, e nos frustramos.

Só sabemos que tomamos decisões ruins porque vemos o resultado de nossas ações. Se pudéssemos ir ao futuro saber o que ia dar certo e voltar ao presente, claro que não tomaríamos a decisão errada. Não somos videntes. Não deveríamos nos frustrar. No entanto, não é como acontece.

A sensação de nostalgia com o passado, e ansiedade com o futuro é o meu presente. Por isso odeio tanto o presente. Por isso quero morrer ao mesmo tempo em que não quero morrer. Queria apenas não sentir isso.

Eu quero ir pra um futuro feliz ou voltar ao passado e fazer tudo de novo. Estar de novo no antigo presente e tomar certas decisões diferentes, agora que sei o resultado de todas as minhas decisões. Acabar com minhas frustrações e encaminhar um novo presente no qual eu gostaria de estar. Um presente com expectativas claras de futuro. Sem a escuridão que me cega em relação ao amanhã. Quero fugir do meu agora.

Sei que não há garantia de que minhas novas decisões me trariam uma vida melhor. É apenas uma visão utópica e todos sentem isso vez ou outra quando se pegam a pensar na vida. Gosto do que me tornei, e isso não seria possível sem a experiência decepcionante de vida que tive até presente data.

Não sei se abriria mão de meu Eu do presente. Contudo, ainda tenho essa visão utópica e me contradigo e vejo o quão divido sou e o quão perdido estou: Perdido em algum lugar no tempo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Vivendo Intensamente


O que é viver intensamente? É não desperdiçar sua vida. É fazer aquilo que você realmente quer. Aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferece. É conhecer novas pessoas, é mudar de emprego, estudar, beber, fazer sexo. É viver um romance, é de alguma forma, ser feliz. Viver intensamente é fazer tudo que é possível, e aproveitar cada momento. É o que nos faz acreditar ser a melhor forma de viver.

Em contrapartida, todo dia, temos a mesma rotina, e não queremos perder o que já temos. Mesmo que seja pouco. Gostamos do cômodo. E isso não é errado. Isso é ser lógico e inteligente. Prático e responsável. Está bom assim, pra que mudar?

E todo dia a rotina segue igual. Sem nenhuma grande mudança. Tudo exatamente igual. E não nos damos conta de que o tempo passa. E quando menos esperamos tudo muda! Como num passe de mágica, o que era claro, fica escuro. Uma fase de sua vida acaba, e você fica totalmente perdido. Sem rumo. Sem chão.

Eu vivo intensamente. Mais intensamente do que a maioria das pessoas. Não duvido disso. Como eu sei? Porque a maior parte do dia eu sinto que vou morrer. É meu estado de normalidade. Todos vão morrer, mas eu tenho a convicção de que comigo está próximo. Sinto que há uma grande bomba prestes a explodir em meu estômago. Eu sinto o frio me congelando a barriga. O tempo em contagem regressiva. Morrerei amanhã. E temo todo amanhã.

E é a sensação mais assustadora que existe. É um desespero diário. Como ter um revólver apontado pra sua cabeça e você apenas poder torcer pra que não puxem o gatilho. Me paralisa. Sinto que vou chorar. E enquanto o revólver não dispara, eu faço exatamente o que eu quero: Evito fazer o que eu não quero. Eu não quero vender minha vida em troca de dinheiro. E eu não vendo. Eu passo o meu tempo fazendo o que eu quero fazer. Se eu não quero fazer nada, não faço nada.

Mas não é simples, pois enquanto eu faço o que eu quero, o tempo da bomba continua passando e a arma continua apontada pra minha cabeça, me pressionando e torturando como um grande vilão psicopata: É isso o que você quer? Parece certo, mas será mesmo? Daqui a pouco você pode se arrepender.

A rotação da Terra não se aplica a mim. Sinto o mundo girar eu ficar parado. Como querer segurar uma escada rolante em atividade. Vou ser esmagado. Todos meus ossos serão quebrados. Estou pressionado. Sei que devo me soltar. Seguir o fluxo. Mas o medo de me desprender é mais forte. Me cravei tão forte no chão que toda a força em ação não me moverá. Serei triturado como o saco de lixo que me tornara. É inevitável.

Mais uma etapa da vida acaba. Flutuo em pedaços novamente no meio do nada. No Vácuo. Universo vazio. Sem chão, sem direção. Até encontrar um novo chão, ao qual vou me enraizar e tudo irá começar de novo.

Vivendo intensamente com medo de viver. Com a mesma arma na cabeça e a mesma bomba em contagem regressiva nas entranhas. Só esperando o próximo Big Bang. Foi apenas mais um dia comum.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Sentido da Vida

Qual o sentido da vida? Não sei. Ninguém sabe. Não há resposta certa. Alguns dizem que sabe, mas na verdade, só sabem de si, só querem dar sentido a sua própria vida. A verdadeira resposta é individual e de transferência irrevogável.

Pra que viver? Pra que levar tudo isso adiante? A vida é como uma semana cheia de coisas ruins, enfeitada as sextas-feiras por um happy hour de felicidade. Por que é preciso suportar tanto, pra ter pitadas de alegria? Pra dar valor a felicidade?

Nos contentamos com pouco, com a mediocridade. Com o lugar vazio no ônibus. O lugar que encontramos enquanto o mesmo ônibus passa na frente de uma loja de carros cheios de lugares vazios. Por que não podemos ter uma semana de happy hour e uma sexta-feira de trabalho? É apenas uma metáfora. O mundo não funcionaria assim.

Pra ter um emprego legal? Um celular legal? Uma casa legal? Pra ser ou parecer legal? Pode ser! Não há resposta certa. Eu não tenho resposta, nem um motivo que me faça acordar, tirar a cabeça do travesseiro e pensar: Irei conquistar isso! - O que eu farei quando conquistar? Qual será o meu objetivo?

Eu não sei o que devo fazer. Eu não sei e não acredito na resposta de outras pessoas. O que eu sei é o que eu não devo fazer. Eu sei o que não faz sentido. Por isso não faço nada. Nada tem sentido. Pode parecer estranho, mas estranho pra mim está bom. Estranho seria eu fazer algo.

Muito se fala sobre Deus, e que apenas Ele pode preencher nosso vazio existencial. Eu já tentei, e não foi verdade. Orar e não receber a benção que todos dizem que eu já tenho, é frustrante. E então dizem: Deus não dá nada. Ele dá forças, condições e oportunidades pra conseguirmos nossos objetivos. – Mas acho que isso se chama força de vontade e perseverança.

Deus deveria ser aquele que aparece pra preencher o vão que há entre o trem e a plataforma. Dar a solução. Nos encher a vida de sentido. Então porque não conseguimos nem responder se Ele existe? Capcioso: A incerteza de Ele existir pra preencher o vazio é exatamente o vazio que Ele preencheria.

Não há mágica. Só o que existe é um mundo cruel cheio de gente, cada um lutando por si. A felicidade de uma pessoa depende da felicidade ou infelicidade de outros. A felicidade de uma pessoa faz com que ela se sinta bem em ajudar outro a ser feliz. Ou a pessoa ajudará outros a encontrar a felicidade para se sentir feliz. Ou estragará a felicidade de outrem por não ser feliz também. Todos são egoístas de alguma maneira. A sua felicidade por arranjar um emprego, é a infelicidade de outro, que disputou a mesma vaga com você.

Tudo se passa na minha cabeça. Enquanto caminho na rua. Enquanto atravesso a rua, entorpecido, e me pergunto qual o sentido de olhar pros dois lados. Enquanto tomo banho. Enquanto sinto que a temperatura da água não está adequada. Enquanto lembro-me de desligar o chuveiro antes de mudar a chave de temperatura. Por que não mudar a chave com o chuveiro ligado e sentir a corrente de adrenalina da possível corrente elétrica que pode me matar? A quase morte nos faz vivos.

A Esperança, mesmo que seja no impossível, é o que nos mantém vivos. Perdê-la, é não se dar conta de que talvez já esteja morto. – Escrevi esta frase com o intuito de me motivar. Faz sentido, quando você se sente morto. Mas em algum lugar em minha mente, ainda carrego esperança.

Esperança em algo. Em Deus. No Amor. Em um futuro melhor do que o presente. Esperança na adrenalina. Esperança em encontrar o Sentido da Vida. Sou apenas um zumbi. Morto-vivo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Expectativa-Frustração

Me considero uma pessoa frustrada. Tenho frustração crônica. Talvez eu esteja mesmo doente do cérebro. Talvez seja só mais um sintoma de distorção cognitiva. Depressão. Ou talvez não seja nada, mas estou preso neste paradoxo: Expectativa-Frustração.

Expectativa-Frustração é um looping contínuo na vida de um ser humano. E não há como evitar: Todos estão vulneráveis neste aspecto. Cabe à pessoa ter equilíbrio para passar por isso e superar.

Grosso modo, não parece impossível evitar, já que a resposta vem de forma simples: “A melhor forma de não se frustrar, é não criar expectativa”. - Já na prática, tudo é mais difícil, porém, não impossível.

Com o tempo você aprende a não se frustrar. Aprende a não se importar. Aprende a enxergar de modo diferente. Esquece o otimismo. Deixa de acreditar. Desiste. Diminui a expectativa. Adapta-se, para não se sentir infeliz novamente.

Parece que está tudo bem, e você contornou o problema. Mas não acabou. Tudo volta. Completa a volta do looping. A visão antecipada de tudo, sem expectativa, frustra. Sente a frustração por enxergar de antemão que as coisas irão dar errado. Frustra-se por saber que vai se frustrar. Me tornei vidente.

Prevejo o fim: Sei que isso vai acabar, e vai ser uma droga. Sei que meus entes queridos vão morrer, e nada poderei fazer para evitar. O tempo vai passar. Fico acordado e o vejo passar, às vezes de forma rápida, às vezes demorada. O ponteiro do relógio não pára. Não há como evitar o inevitável. Isso frustra.

Não tenho o equilíbrio necessário para superar a frustração, já que todo meu mundo está ruindo constantemente a minha volta enquanto permaneço de mãos atadas. É como tentar impedir a queda de um castelo de cartas de baralho. Represar toda a água da chuva.

Não há solução: É preciso superar, reerguer, reconstruir. Até tudo cair de novo... Vale a pena?

Escrever sobre isso não me trouxe conforto. Vou parar agora, estou frustrado com isso.

domingo, 13 de maio de 2012

Aceitando

É uma pena que orar não faça milagre.

É uma pena que chorar não mude a situação.

Amigos vêm e vão.

Tudo é passageiro.

O fim está próximo.

Não há final feliz.

Nada é para sempre.

E não importa o que se faça, nada mudará isso.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Filme Repetido

O dia começa: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.

Repeat: Fast forward: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.

Extras: Compromissos, obrigações, contas.

Um looping infinito. Sem pausa. Sem parar. Uma condição que impossibilita uma nova película. Um outro dia. A mesma realidade.

Repeat - Fast forward: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.
Cansativo. Não tem como parar: Repeat. Fast Forward. Extras - Já deu. É hora de um filme novo. Mas não há condição, tempo, pra se conseguir um novo filme. Apenas mais do mesmo.

São inúmeros filmes, inúmeras possibilidades. Filmes interessantes. E é preciso aceitar que é impossível ver todos. Só se é uma pessoa. Não há todo o tempo necessário.São tantos filmes, e tão pouco tempo. Frustrante.

E continua: O velho filme repetido - Fast forward: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.

E de repente: Acaba! Não há mais filme. Não funciona mais. Só havia um filme. Apenas um. E você se enjoou dele há muito tempo. Mas só se dá conta quando percebe que não o verá nunca mais. Então você tem uma nova percepção. Enxerga os detalhes, que outrora passara despercebido. Infelizmente não poderá ver seu filme novamente. E você se frustra por não ter enxergado tudo antes. Nada de final feliz. Sem felizes para sempre.

The End.