segunda-feira, 18 de junho de 2012

Aprendendo a Viver


Quando somos crianças, nos ensinam a viver de forma errada. Nos fazem acreditar que Papai Noel e Coelho da Páscoa existem. Que você vai ser o que você quiser quando crescer. Vai ter controle de tudo. Tudo sairá como planejado. Será dono de seu próprio destino. Tudo vai dar certo. Você vai ser feliz pra sempre.

E você cresce, com toda a expectativa do futuro perfeito. De que quando você crescer, você será o máximo. O melhor. Terá sucesso e todos lhe amarão. E por isso você se esforça pra fazer isso acontecer. E então criam expectativas em suas expetativas. Você passa a carregar o seu sonho e o de outras pessoas, que acreditam em você.

De repente, quando algo dá errado, é que você percebe: Assim como o Papai Noel e o Coelho da Páscoa, o plano perfeito é apenas fantasia. Você não é especial e incrível. Logo você enxerga que viveu num mundo de sonhos, não estava vivendo no mundo real. Era apenas fantasia. Você cresceu.

Crescer não é tão incrível quanto quando você é pequeno e pensa que só fará o que quiser quando crescer: “Mamãe não me deixou brincar? Quando eu crescer ela não vai me impedir.” – Você cresce e percebe que não pode brincar, mesmo que queira. Tem algo “mais importante” a fazer. Toda expectativa que criaram sobre você, agora, é apenas mais pressão.

Torna-se refém de responsabilidades. Ainda não consegue engolir o fato de que as coisas não são como você planejou. Aprende a sobreviver da forma que consegue, com a esperança de estar fazendo algo certo. Esperando que em algum momento, o futuro se torne perfeito. Esperando o feliz para sempre.

Os anos passam, e por mais que você planeje e visualize tudo da forma que deveria ser, nunca é o que você esperava, afinal de contas. É isso que deveriam nos ensinar desde cedo. Nos protegem tanto porque somos pequenos, que quando crescemos, nos machucamos como se ainda fossemos crianças.

Você acredita no que te disseram a vida toda e se machuca. Mas é muito fácil culpar sua criação, não é? É apenas uma criança mimada que sempre ouviu e teve o que quis. Agora que a vida não lhe dá mais o que quer, fica emburrada e não quer mais brincar.

A verdade é que você ainda não cresceu. Por que mesmo que tudo esteja ruim e por mais que você reclame, continuam lhe dizendo que tudo dará certo. Mas é difícil ter paciência e esperar algo bom quando toda sua vida diz o contrário.

Você dorme, acorda e tudo continua igual. Cada dia de espera é uma eternidade. Dói. Você se esforça pra ser o melhor que pode ser, e tudo que recebe de volta são pedradas. É injusto. E todo dia você se fecha mais, como uma criança traumatizada que não quer passar por tudo de novo.

sábado, 16 de junho de 2012

Perdido no Tempo


Não sei ao certo quando me tornei quem sou. Com a mente paranoica e pessimista. Não me lembro de quando estive feliz. Não me recordo quando tudo fez sentido. Também não sei quando me sentirei feliz e quando tudo fará sentido. Quando estarei satisfeito.

O passado sempre nos parece bom. É quando tudo aconteceu. Foi lá que acertamos. Erramos. Não deveríamos nos culpar pelas decisões ruins que tomamos. Todos vivem dando o melhor de si e tomando as decisões que julgam como as melhores. Mas nem tudo dá certo, e nos frustramos.

Só sabemos que tomamos decisões ruins porque vemos o resultado de nossas ações. Se pudéssemos ir ao futuro saber o que ia dar certo e voltar ao presente, claro que não tomaríamos a decisão errada. Não somos videntes. Não deveríamos nos frustrar. No entanto, não é como acontece.

A sensação de nostalgia com o passado, e ansiedade com o futuro é o meu presente. Por isso odeio tanto o presente. Por isso quero morrer ao mesmo tempo em que não quero morrer. Queria apenas não sentir isso.

Eu quero ir pra um futuro feliz ou voltar ao passado e fazer tudo de novo. Estar de novo no antigo presente e tomar certas decisões diferentes, agora que sei o resultado de todas as minhas decisões. Acabar com minhas frustrações e encaminhar um novo presente no qual eu gostaria de estar. Um presente com expectativas claras de futuro. Sem a escuridão que me cega em relação ao amanhã. Quero fugir do meu agora.

Sei que não há garantia de que minhas novas decisões me trariam uma vida melhor. É apenas uma visão utópica e todos sentem isso vez ou outra quando se pegam a pensar na vida. Gosto do que me tornei, e isso não seria possível sem a experiência decepcionante de vida que tive até presente data.

Não sei se abriria mão de meu Eu do presente. Contudo, ainda tenho essa visão utópica e me contradigo e vejo o quão divido sou e o quão perdido estou: Perdido em algum lugar no tempo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Vivendo Intensamente


O que é viver intensamente? É não desperdiçar sua vida. É fazer aquilo que você realmente quer. Aproveitar as oportunidades que a vida lhe oferece. É conhecer novas pessoas, é mudar de emprego, estudar, beber, fazer sexo. É viver um romance, é de alguma forma, ser feliz. Viver intensamente é fazer tudo que é possível, e aproveitar cada momento. É o que nos faz acreditar ser a melhor forma de viver.

Em contrapartida, todo dia, temos a mesma rotina, e não queremos perder o que já temos. Mesmo que seja pouco. Gostamos do cômodo. E isso não é errado. Isso é ser lógico e inteligente. Prático e responsável. Está bom assim, pra que mudar?

E todo dia a rotina segue igual. Sem nenhuma grande mudança. Tudo exatamente igual. E não nos damos conta de que o tempo passa. E quando menos esperamos tudo muda! Como num passe de mágica, o que era claro, fica escuro. Uma fase de sua vida acaba, e você fica totalmente perdido. Sem rumo. Sem chão.

Eu vivo intensamente. Mais intensamente do que a maioria das pessoas. Não duvido disso. Como eu sei? Porque a maior parte do dia eu sinto que vou morrer. É meu estado de normalidade. Todos vão morrer, mas eu tenho a convicção de que comigo está próximo. Sinto que há uma grande bomba prestes a explodir em meu estômago. Eu sinto o frio me congelando a barriga. O tempo em contagem regressiva. Morrerei amanhã. E temo todo amanhã.

E é a sensação mais assustadora que existe. É um desespero diário. Como ter um revólver apontado pra sua cabeça e você apenas poder torcer pra que não puxem o gatilho. Me paralisa. Sinto que vou chorar. E enquanto o revólver não dispara, eu faço exatamente o que eu quero: Evito fazer o que eu não quero. Eu não quero vender minha vida em troca de dinheiro. E eu não vendo. Eu passo o meu tempo fazendo o que eu quero fazer. Se eu não quero fazer nada, não faço nada.

Mas não é simples, pois enquanto eu faço o que eu quero, o tempo da bomba continua passando e a arma continua apontada pra minha cabeça, me pressionando e torturando como um grande vilão psicopata: É isso o que você quer? Parece certo, mas será mesmo? Daqui a pouco você pode se arrepender.

A rotação da Terra não se aplica a mim. Sinto o mundo girar eu ficar parado. Como querer segurar uma escada rolante em atividade. Vou ser esmagado. Todos meus ossos serão quebrados. Estou pressionado. Sei que devo me soltar. Seguir o fluxo. Mas o medo de me desprender é mais forte. Me cravei tão forte no chão que toda a força em ação não me moverá. Serei triturado como o saco de lixo que me tornara. É inevitável.

Mais uma etapa da vida acaba. Flutuo em pedaços novamente no meio do nada. No Vácuo. Universo vazio. Sem chão, sem direção. Até encontrar um novo chão, ao qual vou me enraizar e tudo irá começar de novo.

Vivendo intensamente com medo de viver. Com a mesma arma na cabeça e a mesma bomba em contagem regressiva nas entranhas. Só esperando o próximo Big Bang. Foi apenas mais um dia comum.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Sentido da Vida

Qual o sentido da vida? Não sei. Ninguém sabe. Não há resposta certa. Alguns dizem que sabe, mas na verdade, só sabem de si, só querem dar sentido a sua própria vida. A verdadeira resposta é individual e de transferência irrevogável.

Pra que viver? Pra que levar tudo isso adiante? A vida é como uma semana cheia de coisas ruins, enfeitada as sextas-feiras por um happy hour de felicidade. Por que é preciso suportar tanto, pra ter pitadas de alegria? Pra dar valor a felicidade?

Nos contentamos com pouco, com a mediocridade. Com o lugar vazio no ônibus. O lugar que encontramos enquanto o mesmo ônibus passa na frente de uma loja de carros cheios de lugares vazios. Por que não podemos ter uma semana de happy hour e uma sexta-feira de trabalho? É apenas uma metáfora. O mundo não funcionaria assim.

Pra ter um emprego legal? Um celular legal? Uma casa legal? Pra ser ou parecer legal? Pode ser! Não há resposta certa. Eu não tenho resposta, nem um motivo que me faça acordar, tirar a cabeça do travesseiro e pensar: Irei conquistar isso! - O que eu farei quando conquistar? Qual será o meu objetivo?

Eu não sei o que devo fazer. Eu não sei e não acredito na resposta de outras pessoas. O que eu sei é o que eu não devo fazer. Eu sei o que não faz sentido. Por isso não faço nada. Nada tem sentido. Pode parecer estranho, mas estranho pra mim está bom. Estranho seria eu fazer algo.

Muito se fala sobre Deus, e que apenas Ele pode preencher nosso vazio existencial. Eu já tentei, e não foi verdade. Orar e não receber a benção que todos dizem que eu já tenho, é frustrante. E então dizem: Deus não dá nada. Ele dá forças, condições e oportunidades pra conseguirmos nossos objetivos. – Mas acho que isso se chama força de vontade e perseverança.

Deus deveria ser aquele que aparece pra preencher o vão que há entre o trem e a plataforma. Dar a solução. Nos encher a vida de sentido. Então porque não conseguimos nem responder se Ele existe? Capcioso: A incerteza de Ele existir pra preencher o vazio é exatamente o vazio que Ele preencheria.

Não há mágica. Só o que existe é um mundo cruel cheio de gente, cada um lutando por si. A felicidade de uma pessoa depende da felicidade ou infelicidade de outros. A felicidade de uma pessoa faz com que ela se sinta bem em ajudar outro a ser feliz. Ou a pessoa ajudará outros a encontrar a felicidade para se sentir feliz. Ou estragará a felicidade de outrem por não ser feliz também. Todos são egoístas de alguma maneira. A sua felicidade por arranjar um emprego, é a infelicidade de outro, que disputou a mesma vaga com você.

Tudo se passa na minha cabeça. Enquanto caminho na rua. Enquanto atravesso a rua, entorpecido, e me pergunto qual o sentido de olhar pros dois lados. Enquanto tomo banho. Enquanto sinto que a temperatura da água não está adequada. Enquanto lembro-me de desligar o chuveiro antes de mudar a chave de temperatura. Por que não mudar a chave com o chuveiro ligado e sentir a corrente de adrenalina da possível corrente elétrica que pode me matar? A quase morte nos faz vivos.

A Esperança, mesmo que seja no impossível, é o que nos mantém vivos. Perdê-la, é não se dar conta de que talvez já esteja morto. – Escrevi esta frase com o intuito de me motivar. Faz sentido, quando você se sente morto. Mas em algum lugar em minha mente, ainda carrego esperança.

Esperança em algo. Em Deus. No Amor. Em um futuro melhor do que o presente. Esperança na adrenalina. Esperança em encontrar o Sentido da Vida. Sou apenas um zumbi. Morto-vivo.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Expectativa-Frustração

Me considero uma pessoa frustrada. Tenho frustração crônica. Talvez eu esteja mesmo doente do cérebro. Talvez seja só mais um sintoma de distorção cognitiva. Depressão. Ou talvez não seja nada, mas estou preso neste paradoxo: Expectativa-Frustração.

Expectativa-Frustração é um looping contínuo na vida de um ser humano. E não há como evitar: Todos estão vulneráveis neste aspecto. Cabe à pessoa ter equilíbrio para passar por isso e superar.

Grosso modo, não parece impossível evitar, já que a resposta vem de forma simples: “A melhor forma de não se frustrar, é não criar expectativa”. - Já na prática, tudo é mais difícil, porém, não impossível.

Com o tempo você aprende a não se frustrar. Aprende a não se importar. Aprende a enxergar de modo diferente. Esquece o otimismo. Deixa de acreditar. Desiste. Diminui a expectativa. Adapta-se, para não se sentir infeliz novamente.

Parece que está tudo bem, e você contornou o problema. Mas não acabou. Tudo volta. Completa a volta do looping. A visão antecipada de tudo, sem expectativa, frustra. Sente a frustração por enxergar de antemão que as coisas irão dar errado. Frustra-se por saber que vai se frustrar. Me tornei vidente.

Prevejo o fim: Sei que isso vai acabar, e vai ser uma droga. Sei que meus entes queridos vão morrer, e nada poderei fazer para evitar. O tempo vai passar. Fico acordado e o vejo passar, às vezes de forma rápida, às vezes demorada. O ponteiro do relógio não pára. Não há como evitar o inevitável. Isso frustra.

Não tenho o equilíbrio necessário para superar a frustração, já que todo meu mundo está ruindo constantemente a minha volta enquanto permaneço de mãos atadas. É como tentar impedir a queda de um castelo de cartas de baralho. Represar toda a água da chuva.

Não há solução: É preciso superar, reerguer, reconstruir. Até tudo cair de novo... Vale a pena?

Escrever sobre isso não me trouxe conforto. Vou parar agora, estou frustrado com isso.

domingo, 13 de maio de 2012

Aceitando

É uma pena que orar não faça milagre.

É uma pena que chorar não mude a situação.

Amigos vêm e vão.

Tudo é passageiro.

O fim está próximo.

Não há final feliz.

Nada é para sempre.

E não importa o que se faça, nada mudará isso.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Filme Repetido

O dia começa: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.

Repeat: Fast forward: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.

Extras: Compromissos, obrigações, contas.

Um looping infinito. Sem pausa. Sem parar. Uma condição que impossibilita uma nova película. Um outro dia. A mesma realidade.

Repeat - Fast forward: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.
Cansativo. Não tem como parar: Repeat. Fast Forward. Extras - Já deu. É hora de um filme novo. Mas não há condição, tempo, pra se conseguir um novo filme. Apenas mais do mesmo.

São inúmeros filmes, inúmeras possibilidades. Filmes interessantes. E é preciso aceitar que é impossível ver todos. Só se é uma pessoa. Não há todo o tempo necessário.São tantos filmes, e tão pouco tempo. Frustrante.

E continua: O velho filme repetido - Fast forward: Acordar, levantar, estudar, trabalhar, dormir.

E de repente: Acaba! Não há mais filme. Não funciona mais. Só havia um filme. Apenas um. E você se enjoou dele há muito tempo. Mas só se dá conta quando percebe que não o verá nunca mais. Então você tem uma nova percepção. Enxerga os detalhes, que outrora passara despercebido. Infelizmente não poderá ver seu filme novamente. E você se frustra por não ter enxergado tudo antes. Nada de final feliz. Sem felizes para sempre.

The End.

domingo, 22 de abril de 2012

Narcisismo Utópico

A folha em branco. Mil palavras na cabeça. Você não consegue escrever. Pensa, pensa e pensa. No fim, não transcrevemos metade do que pensamos. E o pensamento acaba preso. Esquecido. E você morre com isso. E toda sua sabedoria e experiência conquistada através de cada um de seus dias serão ignoradas, tal qual sua efêmera existência, pelas futuras gerações, que terão de percorrer todo o caminho sozinhos. Sem um mapa. Sem referências.

Mas tudo não passa de narcisismo e utopia. Não se trata do futuro de outros. Trata-se de nós mesmos. Somos tudo o que importa. Não ligamos para quem virá no futuro. Ligamos para nossa existência, inevitavelmente esquecida e apagada pelo tempo.
Quem, de fato pensa, precisará encontrar suas próprias respostas, por seus próprios instintos e esforços, pois saberá que só poderá confiar em si mesmo. E um dia, novamente, como você, pegará uma folha em branco. E tudo se repetirá. De novo e de novo. Até o fim.

Nos achamos especiais. Um dia, outros se acharam especiais e muitos outros ainda se acharão especiais. Não precisarão de nós, assim como não precisamos de quem viveu antes de nós. Somos todos especiais. Somos todos iguais.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Suicídio Coletivo - Parte II

O suicídio não tem fim. Somos maus. Seres Humanos. O câncer do planeta. Destruímos tudo. Matamos tudo a nossa volta. Só precisa estar vivo. A planta. A árvore. O animal. Não temos controle nem sobre nossas vidas, mas achamos ter direito sobre a vida de outros. Egoístas.

Matamos plantas e árvores. Por necessidade: “- Precisamos de espaço.” - Desmatamos para abrirmos espaço para nossas casas. Nossos prédios. Indústrias. Campos de futebol. Campos de golfe. Matamos por prazer! Matamos animais. Por necessidade: “- Precisamos comer.” – Animais também precisam comer, mas não os vemos em rodízios de “coma o quanto puder”, “coma até explodir”! Matamos para nos satisfazer.

Matamos por prazer. Nos empanturramos de comida por prazer. Pescamos por prazer. Caçamos por prazer. Fazemos rodeios para nos divertir. Tudo para ostentarmos nossas habilidades. Nossos egos. Prendemos animais em gaiolas, em jaulas. Sem motivos. Matamos do maior e mais feroz animal até o mais minúsculo e frágil. Somos covardes. Envenenamos ratos. Baratas. Os esmagamos. Desde crianças, destruímos formigueiros para nos divertirmos ao vê-las correr. Não há justiça. Nunca vejo uma formiga gigante pisar em um ser humano. Destruir sua casa. Por diversão. Por vingança. Para assistir seu desespero. Rir.

Matamos nossos próprios pais. Irmãos. Nossa família. Nossos amigos. Ex-amores. Nossos semelhantes. Qualquer um que se põe em nosso caminho. Qualquer um que se opõe. Matamos por um time de futebol. Matamos por terras. Por posses. Por dinheiro. Por petróleo. Guerreamos. Decidimos que se o diálogo não funciona, o que estiver de pé no final, está certo.

Criamos armas: Espadas. Pistolas. Rifles. Metralhadoras. Canhões. Bazucas. Granadas. Bombas: Químicas. Atômicas. Nucleares. Perfuramos. Decapitamos. Explodimos. Matamos. Simples e rápido, como palavras.

E no ápice de toda matança, temos a audácia de nos intitularmos os “Salvadores da Terra”. Super-heróis, dizemos buscar paz. Preservar. Reciclar. Proteger a fauna. A flora. Evitar a poluição. Evitar o derretimento das geleiras. Os buracos da camada de ozônio. Evitar a destruição do nosso amado planeta. O planeta precisa de nós!

Narcisistas. Precisamos controlar tudo. Apenas nós podemos nos matar. Não estamos salvando a Terra. Na verdade, só tememos ser mortos pelo próprio planeta. O planeta não morre com poluição. Com radiação. Com bombas. O planeta não morrerá.

Tememos os tsunamis que os distúrbios que causamos podem acarretar. Tememos a mudança drástica de clima. Tememos não aguentar as consequências de nossos próprios atos. O planeta pode se chacoalhar e nos esmagar como formigas quando quiser. Temos sorte de estar vivos!

Nosso próprio corpo nos mata: Cria células cancerígenas. Cria tumores. Nos mata por dentro. Câncer. Doenças fatais. Autoimunes. Incuráveis. Merecemos. Somos pragas. Precisamos ser extirpados. Afinal, talvez haja alguma justiça. A Terra não precisa de nós.

domingo, 8 de abril de 2012

Verdade ou Mentira?

O que é verdade? O que é mentira? Um paradoxo.

Verdade é aquilo que é comprovado. Mas tudo o que é comprovado, antes não era, logo, era uma mentira. Mentira é aquilo que não se prova. A verdade não existiria sem a mentira.

A sua verdade pode não ser a minha verdade. Quem criou o mundo? Uma explosão inexplicável chamada Big Bang ou Deus, que ninguém nunca viu, é o Criador?

São duas verdades. Mas quem crê em uma dessas verdades, considera a outra mentira. Quem me garante que essas verdades são, de fato, verdades?

As pessoas acham que sabem tanto, mas nada sabem. Tudo que fazem é encontrar teorias, teses que deem o respaldo necessário para que possam acreditar em algo. Não importando realmente se é verdade ou mentira. Basta ser convincente o suficiente para acreditar.

A mentira é necessária. Mentir é necessário. É um instinto de sobrevivência. A saída mais fácil. O caminho mais curto. Animais mentem. Fingem-se de morto para escapar de seus predadores, se escondem, se camuflam. Se animais mentem, por que nós não mentiríamos?

Qual a diferença entre o verdadeiro e a ilusão? Não existe se você não sabe diferenciá-los. Como o amor e suas desilusões. E se de repente você percebesse que tudo o que você vive é uma ilusão? Logo, seu mundo, tudo o que você viveu e sentiu de forma tão real, não passou de uma miragem. Seu mundo não desmorona (porque ele, de fato, não existia), ele simplesmente desaparece.

O fato de não existir, não quer dizer que não foi real. Se uma mentira mexeu com seus sentimentos, então ela se tornou real. Você comprovou, pois você sentiu. Você sentiu o entorpecente e doce sabor da mentira, e em seguida sentiu o amargo e dolorido sabor da verdade. Qual você prefere?

Criamos nosso modo de vida, agimos com convicção porque acreditamos em algo. E se estivermos errados? E se o errado for certo? De repente, tudo em que acreditamos, perde o sentido. Perde o brilho. Perde a cor. Você enxerga preto e branco. Não parece certo. O que é certo? O seu certo pode não ser o meu.

A verdade, a mentira, o certo, o errado: Paradoxo.

Estamos presos numa rodinha, como um hamster. Comendo, engordando, correndo, emagrecendo, comendo, engordando, correndo e emagrecendo de novo. Por que é preciso acordar pra uma realidade ruim, se a ilusão é muito mais interessante? Por que acordar?

Não acorde. Não acordaremos. A nossa verdade é absoluta.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Suicídio Coletivo – Parte I

Todo mundo morre. É fato. Mas ao invés de aproveitarmos a vida, e a prolongarmos, estamos acelerando o processo. Morrendo antes da hora. Nos suicidando. Um verdadeiro suicídio coletivo.

Trabalhos que consomem toda a nossa energia. Estresse psicológico com efeitos físicos. Cabelos mudam de cor, caem. Marcas de expressão. Olheiras. Marcas de noites mal dormidas. São necessárias 8 horas de sono ao dia. – “Hahaha! Faz-me rir. Não tenho tempo pra dormir.”

Não temos tempo. Nos acostumamos a dormir pouco. A correr contra o relógio, que gira tão rápido quanto um ventilador. Tão rápido quanto a Terra. O tempo passa depressa. Voa! Minutos. Horas. Dias. Meses. Anos. Nem nos damos conta de que a vida está passando. Escorrendo entre nossos dedos, como a água que tentamos inutilmente segurar.

E continuamos com o suicídio: Poluímos. Poluímos o ar que respiramos. Poluímos a água que bebemos. Intoxicamos a comida natural que comemos. Trocamos a comida natural pela industrializada. Poluímos nossos próprios corpos. E nem nos damos conta de todo o mal que fazemos.

Corremos contra o tempo. Entupimos nossas artérias de gordura com lanches fast food de nome estranho. Não nos preocupamos: É tão bom! Nos sentimos bem. Não nos preocupamos . Nos satisfazemos. - E ficamos gordos. Obesos. Nos sentimos mal. Insatisfeitos. Então corremos novamente contra o tempo. Um círculo vicioso. Sem fim: Em busca de perfeição. Em busca do corpo perfeito de outrora. Corremos para academias. Cirurgias plásticas. Não ficamos satisfeitos. Nunca!

Destruímos a camada de ozônio para que a radiação do Sol nos queime. Destruímos as matas, para enchermos nossos pulmões com todo o gás carbônico produzido por nossos automóveis barulhentos. Ah, o delicioso dia-a-dia da cidade!

Seres humanos mesquinhos. Em busca do pote de ouro no fim do arco-íris. Em busca de mais e mais e mais! 3 vezes mais! 10 vezes mais! Buscando preencher o enorme vazio de nossas vidas. Eterna insatisfação. Compramos coisas que nunca nos fizeram falta, até as vermos em propagandas na TV. Consumismo. Capitalismo.

Então corremos novamente contra o tempo, em busca de mais dinheiro. Abrimos mão do final de semana. Fazemos hora extra. Vendemos a migalha restante de nosso tempo tão corrido. - “Ah, o dinheiro vale a pena.” – Vale a pena ter o dinheiro. Comprar algo que não se desfruta, pois a falta de tempo não deixa. – “Quero trabalhar pra fazer o que gosto” – Mas deixamos de fazer o que gostamos pra trabalhar. Estudamos pra trabalhar, trabalhamos pra estudar. Paradoxal.

O suicídio não tem fim. Estamos nos matando. E nem nos damos conta.

domingo, 11 de março de 2012

Devaneios Noturnos

Você se deita na cama pra dormir. Não consegue. Rola pra um lado. Rola pro outro. Seu corpo quer descansar. Seu cérebro não. Começa então uma viagem de arrependimento, frustração e paranoia, que só passa quando o seu cérebro cansar de sofrer.

É o tipo de tortura que fazemos conosco. Masoquismo. Nos martirizamos. Lembramos de tudo. Pensamos em tudo. Crescemos enquanto estamos deitados. Pensamos em tudo. Entendemos tudo. Nos elevamos a um nível divino. Ficamos sábios.

Lembramos de tudo que nos arrependemos por ter feito. Por não ter feito. De tudo que deu errado. De tudo que poderia ter dado certo. Tudo que provavelmente daria certo. Tudo que era certo e não foi. Por medo, por paranoia. Por ser um idiota descerebrado. Por pensar demais.

Frustrados pelo leite derramado. Pela flecha atirada. Pelo alvo errado. Nada deu certo. Não daria certo. Nada dá certo. Nada dará certo. Não há esperança. Só há dor e sofrimento. Não há amigos. Não há refúgio. Não há cura. É o fim.

É insuportável. Desesperador. Estamos sós. Abandonados. Um drama digno de Oscar em um filme que ninguém assiste. Sós, no escuro. Sem visão. Não há luz no fim do túnel. Sem esperança. Sem mudança. Sem milagre. Sem mágica. Sem Deus.

Você sente vergonha. Você sente pena de si mesmo. Se desespera. Você desiste. Não aguenta o fardo. Você apela: Você ora. Só escuta o silêncio. Não sente alívio. Ninguém está ouvindo. Você desiste novamente. Perde a esperança de novo. Não há solução. A dor não passa.

Fraco, você cai. Beija a lona. Nocaute. Você apaga. Seu sistema dá shut down. Desliga. Você dorme. Sonha. Sonhos bons, sonhos ruim. Sonhos incríveis que você não se lembrará. Você acorda. Mais uma frustração. Você passou por tudo aquilo na madrugada, mas agora tudo já não parece tão ruim. Não parece ter sido real.

A oração funcionou? Você superou? Você se curou? Você está bem? Você está feliz? Você se levanta. Você cresceu. Aprendeu. Está mais sábio. Pronto pra uma nova batalha. Pronto pra apanhar novamente. Pronto pra vencer. Nada mudou. É tudo ilusão.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Cansado

A vida não dá trégua. O tempo não para. Em seu ritmo alucinante ela arrasta tudo e todos. Te leva a força. Precisamos correr pra acompanha-la.

A vida segue. Como um trem desgovernado. Você tropeça. Ela não te espera, ela não te ajuda. Você precisa levantar. Você precisa aguentar. Precisa suportar. Ter fôlego. Não pode parar pra beber água. Respirar.

Você acompanha a vida. Corre na rodinha. Segue o fluxo. Enxerga em câmera lenta. Em preto e branco. Nem ao menos se lembra porque faz tudo isso. Não se lembra do que gostaria de estar fazendo. Você está cansado.

Cansado de tudo. Cansado da mesmice. Da mesma rotina. Do mesmo trabalho. Da mesma lição. Das mesmas pessoas. Do mesmo caminho. Do mesmo destino. Das. Do relógio que insiste em ser mais rápido do que você. Cansado de você. Cansado da vida. Cansado de viver. Cansado de estar cansado.

Em eterna insatisfação. Em eterna frustração. Cansado de esperar o que nunca chega. O que nunca vem. Esperar por Deus. Esperar por algo bom enquanto sente o ruim, dia após dia.

Cansado. Estou cansado.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Máscaras

Vivemos num eterno baile de máscaras. Escondidos. Ocultos. Máscara de um ser humano que não existe. Um ser humano sem defeitos. Perfeito. Um deus. Escondemos nossa verdadeira face de ser humano: Falha. Fraca. Egoísta. Mentirosa. Hipócrita.

Não falamos o que queremos. Não falamos o que sentimos. Nos censuramos. Não queremos mostrar todo o lixo que somos. Todo lixo que consideramos ser. Empurramos pra debaixo do tapete.

Não somos sinceros. Não respondemos simples perguntas com a devida honestidade: “Oi, tudo bem?” – Sim... Quando na verdade o “não” está estampado na sua cara. Por que negar? Ter medo de parecer fraco não te faz menos fraco, apenas mascara a sua realidade.

Não! Não somos hipócritas! Sim, eu nego a hipocrisia, pois sou hipócrita. Somos muito hipócritas. Julgamos tudo. Basta existir. Basta acontecer. Vamos julgar. E não vamos ter a mínima coerência! Julgamos algo como ruim, mas gostamos do que julgamos ruim. Falamos mal de uma ação, mas fazemos igual!

Eu não minto. Mentira. Todos mentem. “Adorei seu presente.” – O presente é um lixo, mas você não fala. Você mente por coisas efêmeras. É a famosa “mentira boa”, que não machuca ninguém. Machuca sim! Machuca você, que vai receber outro presente de merda na próxima vez.

Somos egoístas. Queremos tudo o que pudermos ter. “Feliz aniversário! Desejo-lhe tudo de bom e muitas felicidades!” – “E eu te desejo tudo em dobro!” - Na boa, pára. Ninguém quer ser menos feliz. Por que desejar o dobro da sua própria felicidade?

“Eu não tenho inveja. Mas como eu queria ter aquilo que fulano tem!” – Em uma curta frase, mentira, hipocrisia e inveja. Por que julgam tão ruim sentir inveja? – Hipocrisia - Por que é ruim achar algo bom, querer ter aquilo de bom que outra pessoa tem? Invejar te faz correr atrás. Te dá forças pra alcançar o que deseja. Roubar, agir de má fé é errado, invejar não.

Fazemos tudo em busca de uma imagem. Em busca de uma máscara. Como a máscara da estrela de TV, que é perfeita. Boazinha, verdadeira, simpática, amiga de todos. Queremos um pedestal. Queremos expor, “sem querer”, toda nossa imagem altruísta. “Por acaso”, ser bondoso. Ser simpático, sorridente. Praticar uma boa ação para o próximo em busca de autosatisfação. Se sentir bem por fazer o bem - Mas isso não é errado.

Não semeamos o bem apenas pra fazer o bem. Semeamos o bem pra colher o bem. Queremos algo em troca. Queremos uma recompensa. Algo subentendido. Algo escondido. Mascarado. Queremos que o Universo nos pague com a mesma moeda. Queremos seguir os mandamentos de Deus, para agradar a Deus. Para não queimar no inferno.

Usamos máscaras de super ser humano, queremos ser deuses. Talvez sejamos aliens. Não, não adianta, somos apenas seres humanos.