segunda-feira, 2 de abril de 2012

Suicídio Coletivo – Parte I

Todo mundo morre. É fato. Mas ao invés de aproveitarmos a vida, e a prolongarmos, estamos acelerando o processo. Morrendo antes da hora. Nos suicidando. Um verdadeiro suicídio coletivo.

Trabalhos que consomem toda a nossa energia. Estresse psicológico com efeitos físicos. Cabelos mudam de cor, caem. Marcas de expressão. Olheiras. Marcas de noites mal dormidas. São necessárias 8 horas de sono ao dia. – “Hahaha! Faz-me rir. Não tenho tempo pra dormir.”

Não temos tempo. Nos acostumamos a dormir pouco. A correr contra o relógio, que gira tão rápido quanto um ventilador. Tão rápido quanto a Terra. O tempo passa depressa. Voa! Minutos. Horas. Dias. Meses. Anos. Nem nos damos conta de que a vida está passando. Escorrendo entre nossos dedos, como a água que tentamos inutilmente segurar.

E continuamos com o suicídio: Poluímos. Poluímos o ar que respiramos. Poluímos a água que bebemos. Intoxicamos a comida natural que comemos. Trocamos a comida natural pela industrializada. Poluímos nossos próprios corpos. E nem nos damos conta de todo o mal que fazemos.

Corremos contra o tempo. Entupimos nossas artérias de gordura com lanches fast food de nome estranho. Não nos preocupamos: É tão bom! Nos sentimos bem. Não nos preocupamos . Nos satisfazemos. - E ficamos gordos. Obesos. Nos sentimos mal. Insatisfeitos. Então corremos novamente contra o tempo. Um círculo vicioso. Sem fim: Em busca de perfeição. Em busca do corpo perfeito de outrora. Corremos para academias. Cirurgias plásticas. Não ficamos satisfeitos. Nunca!

Destruímos a camada de ozônio para que a radiação do Sol nos queime. Destruímos as matas, para enchermos nossos pulmões com todo o gás carbônico produzido por nossos automóveis barulhentos. Ah, o delicioso dia-a-dia da cidade!

Seres humanos mesquinhos. Em busca do pote de ouro no fim do arco-íris. Em busca de mais e mais e mais! 3 vezes mais! 10 vezes mais! Buscando preencher o enorme vazio de nossas vidas. Eterna insatisfação. Compramos coisas que nunca nos fizeram falta, até as vermos em propagandas na TV. Consumismo. Capitalismo.

Então corremos novamente contra o tempo, em busca de mais dinheiro. Abrimos mão do final de semana. Fazemos hora extra. Vendemos a migalha restante de nosso tempo tão corrido. - “Ah, o dinheiro vale a pena.” – Vale a pena ter o dinheiro. Comprar algo que não se desfruta, pois a falta de tempo não deixa. – “Quero trabalhar pra fazer o que gosto” – Mas deixamos de fazer o que gostamos pra trabalhar. Estudamos pra trabalhar, trabalhamos pra estudar. Paradoxal.

O suicídio não tem fim. Estamos nos matando. E nem nos damos conta.

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