A folha em branco. Mil palavras na cabeça. Você não consegue
escrever. Pensa, pensa e pensa. No fim, não transcrevemos metade do que pensamos.
E o pensamento acaba preso. Esquecido. E você morre com isso. E toda sua
sabedoria e experiência conquistada através de cada um de seus dias serão
ignoradas, tal qual sua efêmera existência, pelas futuras gerações, que terão
de percorrer todo o caminho sozinhos. Sem um mapa. Sem referências.
Mas tudo não passa de narcisismo e utopia. Não se trata do
futuro de outros. Trata-se de nós mesmos. Somos tudo o que importa. Não ligamos
para quem virá no futuro. Ligamos para nossa existência, inevitavelmente
esquecida e apagada pelo tempo.
Quem, de fato pensa, precisará encontrar suas próprias respostas,
por seus próprios instintos e esforços, pois saberá que só poderá confiar em si
mesmo. E um dia, novamente, como você, pegará uma folha em branco. E tudo se repetirá.
De novo e de novo. Até o fim.
Nos achamos especiais.
Um dia, outros se acharam especiais e muitos outros ainda se acharão especiais. Não precisarão de nós, assim como não precisamos de quem viveu antes de nós. Somos todos especiais. Somos todos
iguais.
Concordo em gênero número e grau
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