Eu não levo astrologia a sério, mas acredito que ter Gêmeos como meu signo, faz todo sentido. Como irmãos, brigo comigo mesmo todo dia. Estou em constante conflito interno. Em dúvida. Dividido. Inconstante. Incoerente.
Meu lado preguiçoso é muito mais forte e inteligente que meu lado hiperativo. Mas ele não é assim por ser egoísta e acomodado. Ele é assim, pois é mais racional, e aprendeu a perder. A se frustrar e aceitar. O lado hiperativo é impulsivo, quer fazer e acontecer, como uma criança. Então o lado preguiçoso precisa tomar as decisões. Precisa proteger o lado impulsivo de se frustrar e se tornar como o preguiçoso. É um irmão superprotetor.
Eu tenho preguiça. Preguiça de acordar, de levantar. Preguiça de viver. Mas uma parte de mim quer acordar, levantar e viver. A vida requer um esforço que eu não quero fazer. Sou acomodado. Estou conformado com minha mediocridade. Preciso mudar, quero mudar, mas não tenho vontade, coragem. Tenho preguiça.
Não entendo como as pessoas fazem pra dar um novo rumo em suas vidas. Não tenho um mapa, uma bússola. Não quero começar uma jornada e acabar perdido. Eu me agarro ao “deixar a vida me levar”. Me agarro tanto, que quando ela quer me levar, eu não me solto. Mantenho-me agarro e firme.
Vejo a vida passar, e cá estou eu, a procrastinar. Escrevendo num blog. Jogando vídeo game. Assistindo séries, filmes. Pra mim, isso é a vida. Isso é viver. Dormir durante o dia, ficar acordado durante a noite. Não ver o dia, de fato, passar. Parar o tempo. Viver enquanto todos estão congelados, dormindo. Fugir da vida.
Negar que a vida está indo embora, negar que o tempo está passando, como um presságio de que não estarei aqui para sempre. Como ao aviso “Jesus está voltando”, eu me faço cego e indiferente ao que acontece. Não quero que o tempo passe, não quero que Jesus volte.
Tenho muito tempo. Reviro minha mente em busca de problemas que só eu enxergo, como agulhas em palheiro, e soluções tapa buracos para estes problemas. E assim continuo levando uma vida inútil: Vejo filmes, séries, toco violão, toco gaita, leio, escrevo, desenho. Faço tudo, em busca de algo que não sei o que é. Faço tudo, não resolvo nada. Encontrei tanta coisa pra fazer, que todo o meu tempo já não é suficiente. Tudo continua igual.
Completo de nada. Completamente vazio.
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